Teaser e Cold Open

 

 

Na década de 60, alguns executivos da televisão, observaram que ao terminar um programa, os telespestadores mudavam de canal, logo nos créditos iniciais do programa seguinte, sem dar tempo de a história começar. Começaram , então, a exigir dos criadores, que as séries fossem criadas pensando em uma pequena cena antes do créditos, que prendesse o público e o fizesse continuar a assistir o programa. A esta técnica, inicialmente televisa e então estendida também ao cinema, chamamos de Cold Open ou Teaser. Teoricamente, não há distinção entre uma e outra, apesar de o termo Cold Open ser  o mais utilizado. A proposta sempre visa o mesmo impacto, levar o espectador diretamente para a história e envolvê-lo o mais rapidamente posssível com a trama ou com o clima, pretendido para o restante da obra. 

 

Na década de 80, o sitcom Cheers, popularizou o cold open autônomo em séries de humor. Assim, todo episódio do programa contava com uma introdução cômica, em geral, uma gag entre os personagens centrais, sem qualquer relação com a temática abordada pelo episódio. A técnica depois foi repetida com sucesso em outras sitcoms como Frasier, Friends ou The Office. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

As séries drámaticas procedimentais costumam trazer em seu teaser, o elemento que será explorado no episódio. House, por exemplo, quase sempre apresenta um teaser com o paciente sofrendo os sintomas de sua doença antes de ser internado. Já séries com temática investigativa, como CSI, podem apresentar o caso a ser resolvido pela equipe no episódio. 

 

O Cold Open/Teaser também pode ser um espaço para experimentação e inclusão de materiais alternativos a linha narrativa desenvolvida pela série. Breaking Bad, por exemplo, utilizou diversas vezes o espaço para incluir materiais que não fariam sentido incorporados dentro da narrativa do episódio, mas que eram importantes para entender o universo da série. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Outro uso comum é a utilização de um flashforward do episódio, isto é, um avanço na narrativa para um ponto do futro da história, levando o espectador a uma curiosidade sobre como aquele momento se encaixará com o que acontece no momento presente da trama. A série Damages, por exemplo, usou e abusou desta técnica, introduzindo flashfowards nos teasers de quase todos os episódios da primeira temporada. 

 

Os Cold Opens/teaser servem não só fisgar o espectador com a trama, mas também com o clima e os conflitos da série. Assim, o cold open/teaser de um episódio piloto merece atenção especial  na introdução de personagens e do universo da trama. House of Cards tem em seu piloto um teaser que tem como função, apenas mostrar a frieza e pragmatismo de seu protagonista. Já True Blood utiliza o teaser do piloto para apresentar o universo criado e mostrar a tensão existente no ambiente.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Filmes também utilizam o Cold Open com sucesso. Tropa de Elite começa uma sequência com o BOPE adentrando um baile funk. A cena com barulho alto da música e narração do  personagem Capitão Nascimento procura dar o clima do filme e apresentar tanto o personagem quanto o seu dia-a-dia. 

 

 

Em Os Infiltrados, o Cold Open ocupa quase 30 minutos do filme, incluindo e apresentando o Back Story dos personagens centrais no filme, até o ponto  em que o conflito central é iniciado. 

Teaser autonômo de "The Office" com os personagens da série.

Teaser autonômo de "Parks and Recreation" com gag de situação do cotidiano.

Teaser de CSI Miami, onde o caso a ser investigado no episódio é apresentado.

Teaser de Breaking Bad, com videoclipe mostrando que Heiseberg  se tornou um personagem cult dentro do universo da série.

Teaser do piloto de House of Cards  apresenta o protagonista.

Teaser do piloto de Battlestar Gallatica apresenta o universo e o clima da série.

Por Jaqueline M. Souza

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