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  • Lucas Zacarias

5 fontes de leitura para se livrar do nível básico de roteiro


A séries de TV estadunidenses se popularizaram no mundo, o Netflix abriu o caminho da produção de conteúdo on demand, a lei da TV paga obrigou os canais a cabo a veicularem pelo menos três horas e meia de produto nacional por semana. De repente, “roteirista” se tornou o novo “modelo-atriz”. Todo mundo se diz profissional e quer tirar uma casquinha de um momento próspero, em que produtoras supostamente procuram conteúdo para desenvolver e fãs vorazes procuram conteúdo para consumir. Mas nem todo mundo tem paciência - ou mesmo vontade - para se aperfeiçoar como escritor.

Centenas de workshops de roteiro brotam por aí e vão continuar surgindo outros tantos, com abordagens diferentes, mas, com raras excessões, sem sair da superfície do roteiro clássico. As opções que restam são cursos longos e caros de especialização em escolas de cinema, mestrados em universidades conceituadas no exterior - para quem pode pagar ou consegue bolsa - ou, a opção mais acessível, garimpar as fontes de leitura certas para se aprimorar. A terceira opção, a mais econômica, requer uma longa busca, interminável até. Mas se você tiver a coragem para encará-la, eis algumas boas referências que devem aparecer no seu caminho.

Alternative Screenwriting

É fundamental conhecer e dominar fórmulas, modelos, padrões e jornadas utilizadas principalmente para fins industriais no chamado roteiro clássico. Mas é preciso também entender que há maneiras alternativas que desobedecem esses padrões e que dão certo da mesma forma. Este livro perpassa o que há de mais básico em escrita de roteiro, mas sempre mantendo um olho a frente, nas possibilidades de romper as regras. Indispensável para roteiristas presos em situações narrativas que simplesmente não se adequam ao que dizem os manuais. É importante também para roteiristas totalmente enquadrados nos métodos clássicos, para que aumentem seu repertório de possibilidades. Livro sem tradução em português.

Como contar um conto

Este livro é a transcrição de um dos cursos da Oficina de Roteiro ministrada por Gabriel Garcia Marquez na Escola de Cinema e Televisão de San Antonio de los Baños, em Cuba. Os alunos levavam histórias para serem desenvolvidas em grupo e com a ajuda do grande escritor colombiano. O livro transporta o leitor para dentro da oficina e a vontade instintiva é de dar pitaco no meio do processo. É interessante ver como Garcia Marquez debate soluções narrativas com seus alunos - de forma totalmente horizontal - e quais as justificativas que ele dá ao sugerir caminhos. Além disso, cada ideia em discussão é um estímulo para novas ideias na cabeça do leitor, que inevitavelmente termina a leitura com alguns storylines próprios para desenvolver.

Inside the Room

É muito difícil expandir referências bibliográficas no campo da narrativa sem ter o domínio da leitura em inglês. Inside the Room é um dos vários livros de roteiro interessantes que não foram traduzidos para o português, mas que merecem atenção. Este livro fala sobre o processo de criação de séries de TV dividindo-se em duas partes principais: drama de uma hora e comédia de trinta minutos. As referências são bem atualizadas e há um capítulo em cada sessão para quem experimenta escrever specs. Leitura muito útil.

As estruturas narrativas

Indispensável para quem almeja ser um bom roteirista se tornar um bom entendedor de narrativas. Para isso, referências bibliográficas na Teoria da Literatura, principalmente em Narratologia, são indispensáveis. Antes do início da narrativa audiovisual já se teorizava sobre as estruturas do conto e do romance, como Vladimir Propp em seu Morfologia do Conto Maravilhoso, que semeou obras de Todorov, Barthes, Greimas, Genette, Bakhtin, entre outros, acerca da construção e análise da narrativa. A narrativa cinematográfica é espelhada na literatura e no teatro para adequar a contação de histórias à sua linguagem particular.

Explorar tais fontes bibliográficas é um caminho que se expande a cada passo. Daqui pode-se seguir para outras veredas metodológicas, como o estruturalismo - que ajuda a entender como se organiza o corpo narrativo - e o pós-estruturalismo, estudado por Derrida, que joga luz nas possibilidades da desconstrução narrativa. Mas mesmo para quem não pretende avançar tanto no academicismo, entender certas teorias é interessante para ter domínio da própria escrita.

Reddit

Aqui, novamente, saber ler em inglês é requisito. O Reddit é o maior site de fóruns de discussão do mundo. Tem tudo lá. É possível buscar qualquer assunto por tema - no nosso caso, Screenwriting - e descobrir diversas "salas de discussão" com as mais variadas abordagens. São pessoas colocando seus roteiros para debate, postando artigos, colocando dúvidas que você teria, pedindo - e recebendo! - sugestões para resolver problemas de roteiro e gente inserida no mercado explicando o que faz um roteiro ser aprovado ou rejeitado nas leituras das grandes produtoras. É imperdível. Além disso, da pra acompanhar discussões sobre seus filmes e séries favoritos, onde as pessoas postam teorias mirabolantes, análise de personagens, investigação de easter eggs, criação de fan fictions que colaboram para expandir o universo ficcional para além do que a tela mostra. Não só uma bela fonte educativa, mas um ótimo canal de inspiração.


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