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  • Cipriano Wiski

Dumbo nos ensinou a voar


Fala pra mim, você realmente ouve o mundo que lhe cerca?

O oficio de escrever sempre foi considerado algo solitário, único, uma sublimação da alma do artista. Para muitos, escrever é puro reflexo de sua criatividade em palavras, que é sua criação pessoal, algo novo surgirá apenas de sua vontade de escrever.

Novas ideias surgem de ligações entre objetos que nunca foram ligados, não emanam do nada, não surgem do etéreo, ideias vem do que você conhece, do que um dia era comum e ligado com outro conhecimento comum cria algo inovador.

Porém de onde absorvemos esse conhecimento? Linda Seger nos faz refletir sobre a pesquisa, dividindo esse tópico em pesquisa de vivência, que é tudo que vivenciamos tornamos objeto de criação, e pesquisa específica, quando nos aprofundamos em um tema para obter conhecimento do que iremos criar.Porém a primeira é onde vamos nos focar. Pensemos em vivência, em tudo que passamos em nossa vida, e como esses momentos nos tornam criativos, como utilizarmos nossa vida pessoal para criar algo novo.

“Minha vida daria um roteiro de cinema”, “Um dia te conto uma história que daria um filme”. Eu como roteirista já ouvi essas frases algumas vezes. Aposto que você também ouviu. Mas você parou para realmente ouvir a história? Nossa pesquisa de vivência não deve se resumir ao que vivemos, mas também ao que os outros viveram. Um bom roteirista não é só quem sabe contar uma história, mas quem sabe ouvir.

TIREM SEUS FONES DE OUVIDO, a fila do ônibus é repleta de histórias fascinantes, caminhar pela calçada e ouvir pode ser tão inspirador quanto uma visita à biblioteca, aquele senhor que te para quando você está atrasado pode ser quem resolva o furo em seu roteiro.

Ouvir não apenas nos faz criar novas ideias, também é de suma importância quando escrevemos nossos diálogos. Uma boa forma de saber se o seu diálogo funciona é ler em voz alta, colocar na boca de pessoas as palavras que foram escritas. E o contrário também vale, ouvir como as pessoas falam, seu sotaque, a forma que formulam as frases, o ritmo de fala. Toda vez que o roteirista se dá ao luxo de ouvir ele cria um novo personagem, uma nova forma de dicção. Cada personagem deve ter sua própria voz e de pessoas reais, do dia a dia, que ele exporta a verdade em cada palavra de um personagem.

Nosso amigo Dumbo nos ensinou que com grandes orelhas podemos voar. O mundo pulsa com história a serem contadas, com personagens a serem descritos. Nossa pesquisa é eterna, personagens fascinantes estão na sua esquina. Nunca esqueça de ouvir o que e como eles nos contam suas histórias.

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