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Basicamente, piloto é o primeiro episódio de uma série de TV. Nos Estados Unidos, o episódio piloto é utilizado pela emissora para realizar pesquisas de mercado e determinar o potencial da série prospectada. Na maior parte dos casos, o episódio piloto aprovado é também o primeiro episódio da série e funciona como um modelo ou template do que será desenvolvido, contendo o universo, seus personagens principais e uma amostra da estrutura narrativa a ser seguida nos episódios seguintes. Acima de tudo é uma vitrine tentando atrair potenciais consumidores com uma indicação clara do que está por vir.

 

No aspecto técnico de escrita, a formatação de um roteiro televisivo não difere da formatação de um longa ou curta-metragem, o chamado padrão Master Scene. Mas um filme é uma obra contida em si mesmo, usualmente dentro de uma estrutura de três atos, enquanto que séries buscam formas de expandir seu universo e criar novas histórias e situações para seus personagens a cada novo episódio. O piloto é o prelúdio desse universo.

 

É preciso ter em mente quando se está desenvolvendo um piloto de uma série que aquilo é só o começo. O espectador (ou um possível produtor ou comissão de seleção de projetos) não conhece aquele universo, nem aqueles personagens e se não forem conquistados logo de cara, dificilmente voltarão para mais. Existem exemplos de grandes sucessos televisivos que não começaram muito bem do ponto de vista artístico, Seinfeld por exemplo não foi bem recebido pelos grupos de avaliação e dividiu a critica, mas os realizadores tiveram a sorte de ter um produtor que realmente acreditava no potencial da série e lutou para que ela fosse produzida e permanecesse no ar. Se compararmos o primeiro episódio de Seinfeld (e toda sua primeira curta temporada, de apenas cinco episódios) com episódios posteriores, notaremos que muita coisa mudou e se transformou no caminho (como por exemplo a ausência de Elaine, ou Kramer que se chamava Kesler e era bem mais contido, até o título era outro), mas a base daquele humor neurótico e de complicações extremas de situações banais estavam lá. Cheers, por outro lado, estreou com uma péssima audiência, dentre 77 programas exibidos no mesmo horário do piloto, ficou em septuagésimo sétimo na colocação, mas poucas alterações foram feitas para tentar atrair o público (a protagonista Diane saiu na quinta temporada, porém por opção da atriz e não como manobra para melhorar a audiência) e a série durou 11 temporadas, sendo líder de audiência no horário nobre.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Existem também raros exemplos de pilotos que tiveram a chance de serem redefinidos e refilmados antes de irem ao ar e se transformaram em grandes sucessos, como no caso da britânica Sherlock e a estadunidense The Big Bang Theory. Essa última é um exemplo e tanto das possibilidades narrativas que uma história pode tomar, é um abismo entre o piloto original, não aprovado pela emissora e o piloto que foi ao ar.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Mas é bom lembrar que a realidade de produção brasileira é BEM diferente e nossa percepção do mercado estrangeiro em relação a terra de origem das séries, também. A maior parte das séries estrangeiras que fazem sucesso no Brasil são dos Estados Unidos, em média, cada uma das quatro grandes emissoras abertas estadunidenses, produzem 20 pilotos por ano, dentre os quais, uma média entre quatro e oito acabam se tornando séries fixas. E isso é apenas a média de uma emissora aberta, ainda existem as produções para TV a cabo ou VOD. No Brasil, acaba chegando apenas uma porcentagem das séries que foram bem sucedidas, ou seja, que já passaram por um crivo de popularidade, sendo filtradas pelo público e crítica.

 

O mercado brasileiro ainda enfrenta muitas dificuldades de produção. Mesmo com a lei da TV paga, que obriga as emissoras cujo o conteúdo seja majoritariamente de filmes, séries e/ou documentários, a exibirem 3 horas e meia de conteúdo nacional, e no minimo metade disso deve ser produzido por produtoras independentes. As dificuldades são várias: recursos para produção, as produções independentes acabam sendo realizadas por produtoras independentes de grande nome (o que dificulta a diversidade das produções), e infelizmente, o público brasileiro ainda tem uma forte rejeição por conteúdo audiovisual brasileiro (fóruns de discussão na época que a lei foi aprovada eram verdadeiros baldes de água fria para qualquer realizador).

 

Portanto, além da concorrência no mercado, são muitas pessoas que você deve conquistar com sua proposta de série e seu piloto antes do público. São diretores de programação, produtoras, comissões de seleção de editais de produção ou desenvolvimento de projetos, etc.

 

 

O PILOTO

 

Para um criador, o piloto é muito mais do que o episódio de apresentação de uma série, ele é o resultado da conceituação de todo o universo dramático, seus personagens, situações e elementos. É após essa conceituação que um piloto se forma e conseqüentemente o restante da série, podendo passar por algumas transformações no processo.

Basicamente, uma série é formada por histórias e personagens. Os personagens são a alma da série. O público pode até começar a assistir por conta de uma boa história, mas vão voltar por conta dos personagens. Convenhamos que a história de seis amigos que passam seus dias conversando em um café sobre as situações e problemas do começo da fase adulta, não é muito atrativa, mas a sintonia entre Rachel, Monica, Phoebe, Joey, Chandler e Ross fez muita gente ficar sintonizada durante dez anos.

Um professor de Química que ao descobrir que está com uma doença terminal, começa a produzir drogas para deixar sua família financeiramente segura é uma história e tanto. Além da história, a premissa de Breaking Bad é fantástica, antes do piloto estrear, a série já era divulgada como o processo de transformação de um homem comum em um chefão do crime. Mas se Walt, Jesse, Hank, Skyler e os outros tantos personagens que adentram a série não fossem críveis, relacionáveis e/ ou carismáticos, dificilmente as pessoas dedicariam tempo de suas vidas para assistirem a essa transformação.

Para o espectador, o piloto é seu primeiro contato com os personagens e suas histórias. E basicamente, existem duas formas de abordagem narrativa: um episódio autônomo ou piloto premissa.

 

 

Piloto Autônomo

Um piloto autônomo se refere a um episódio como qualquer outro, onde os personagens e as situações já estão estabelecidas e não há uma grande mudança naquele universo para introduzir a história. A diferença é que no piloto, os personagens estão sendo revelados para o “mundo” pela primeira vez, então o roteirista e toda a equipe deve se esforçar bem mais para que esses desconhecidos se tornem relacionáveis.

Muitas pessoas começam a assistir séries a partir de uma temporada já distante e estabelecem uma conexão com os personagens. Friends ou How I Met your mother são séries que conseguem cativar novos espectadores em episódios aleatórios de suas terceiras ou quartas temporadas, mas são séries que já desenvolveram um histórico e ganharam força de audiência e critica. Um piloto deve se sustentar por si só, sem ninguém nunca ter ouvido falar daquele universo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Exemplos de pilotos autônomos:

 

South Park: Aliens invadem a terra e implantam uma antena na bunda de Cartman. É isso. Os amigos já se conhecem, já passam por situações bizarras juntos e adoram se odiar. Poderia facilmente ser um episódio da segunda ou décima temporada.

 

 

That 70's show: Apesar de Eric Forman ganhar um carro, que pode ser um grande ponto de virada na vida de um adolescente, a vida do grupo de amigos que ficam de boa no porão não muda em quase nada. Erik e Donna, os protagonistas da história, são apresentados como amigos de infância que agora que estão amadurecendo começaram a demonstrar a atração que sentem um pelo outro. Nenhum grande evento anuncia isso, na verdade, o piloto deixa claro que isso já vem acontecendo a algum tempo. A história gira em torno do grupo de amigos tentando ir para um show em outra cidade, nada drástico movimenta a história.

 

Rosseane: Clássico da comédia, que estreou no final dos anos 80 e durou nove temporadas, conta a história de uma família da classe trabalhadora e as lutas diárias da vida. A sinopse oficial do piloto é curta e direta: Rosseane é chamada para uma reunião de pais e mestres depois que Darlene começa a latir na sala de aula. Somente mais um dia comum para a mãe de três filhos, que tem que administrar os problemas domésticos, seu emprego em uma fábrica e um marido que faz pequenos bicos de vez em quando e não ajuda em nada na casa. Somente mais um dia comum, somente mais um maravilhoso episódio comum.

 

 

 

Piloto Premissa

É onde ocorre uma situação que altera o rumo da vida dos personagens e dá o pontapé inicial da história. Com um piloto premissa é bem mais fácil introduzir personagens, pois ter tempo para descrever uma grande mudança na vida do protagonista ajuda o espectador a entender aquele desconhecido.

Assim como na estrutura narrativa clássica baseada na jornada do herói, um piloto premissa costuma começar no Mundo Comum; rapidamente o protagonista ou grupo de protagonistas são apresentados em seu dia-a-dia, até que um incidente incitante abala aquele mundo colocando a história em movimento.

Esse evento normalmente é a chegada de um estranho em um local de trabalho ou na vida de um grupo de personagens (Friends, Cheers, Mad Men, 30 Rock, Arquivo X), ou em um ponto de virada na vida do protagonista (Breaking Bad, The Good Wife, O Negócio, Sons of Anarchy, Sopranos, My name is Earl).

 

 

A chegada do estranho

Uma ferramenta extremamente eficaz para começar uma obra seriada, pois serve tanto para modificar o universo de um grupo de personagens quanto para introduzir os personagens para o espectador, muitas vezes cumpre as duas funções ao mesmo tempo. Por exemplo, no piloto de Friends, Rachel vai atrás de sua amiga Monica após fugir do altar tentando deixar para trás sua vida de garota mimada. Monica apresenta para Rachel (e para os espectadores de primeira viagem) seu grupo de amigos e através dos olhos dela conhecemos algumas peculiaridades desses personagens. Na verdade, Friends se utiliza da “chegada do estranho” e do ponto de virada na vida de Ross, que está passando pelo processo de divórcio e voltando ao mundo dos solteiros antes de completar 30 anos. Phoebe, Chandler e Joey não tem muito de suas vidas alteradas pela premissa do piloto (Mônica passa por uma mudança a partir do momento que recebe Rachel como sua colega de quarto), mas o que interessa é que a rotina do grupo muda com essa chegada.

Uma variação de a chegada de um estranho pode ser também o retorno de alguém do passado, como em Homeland ou na recente Bloodline.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Exemplos:

 

Cheers: Diane chega ao bar como uma cliente comum e é apresentada a todos os personagens que vão compor a série. No final do episódio, ao ser abandonada pelo noivo começa a trabalhar no bar.

 

Mad Men: O primeiro dia de Peggy na Sterling-Cooper. Apesar da história de Peggy ser apenas uma das três storylines do piloto e sua chegada não representar grandes alterações nas vidas dos outros personagens (pelo menos não inicialmente), é através do ponto de vista de Peggy que somos introduzidos naquele universo chauvinista construído sobre frágeis aparências. Joan literalmente faz um tour com Peggy pelo escritório explicando como as coisas funcionam ali.

 

Arquivo X: Na verdade, Arquivo X se utiliza dessas duas formas narrativas, dependendo do ponto de vista. Scully é a estranha que chega na vida de Mulder com o objetivo de escrever relatórios que façam com que o departamento “Arquivo X” seja fechado, mas como a série é apresentada pelo ponto de vista dela (depois do TEASER, a primeira cena do piloto é ela sendo transferida e brifada), podemos dizer também que é um ponto de virada em sua vida. Onde uma médica com grandes conhecimentos científicos começa a trabalhar em investigações que envolvem o extraordinário.

 

 

Ponto de Virada na vida do personagem

Outra forma bem comum de se começar um piloto é através de um evento drástico que altera o rumo do mundo comum do personagem ou núcleo de personagens. Por exemplo, em Breaking Bad, onde a descoberta do câncer de Walter White, faz ele colocar em prática seu plano de deixar dinheiro para a família. Em Familia Soprano, quando Tony, um chefão do crime organizado, tem um ataque de pânico e começa a fazer terapia. Ou na nacional O Negócio, quando o cafetão de Karin não a permite trabalhar na festa que iria organizar sua vida financeira, fazendo-a tomar a iniciativa de começar seu próprio negócio com duas amigas.

 

Em Breaking Bad, White é introduzido como um professor de química de classe média, paí de família, com um filho que sofreu de paralisia e com uma esposa grávida. Sofrendo de problemas financeiros trabalha em um segundo emprego para sustentar a crescente família. O diagnóstico de câncer no pulmão é o incidente incitante que tira White de seu mundo comum e o faz tomar a decisão de produzir metanfetamina na esperança de deixar um aporte financeiro para sua família, e essa decisão é a premissa para todos os conflitos que geraram histórias para os 62 episódios da série.

 

Não existe uma “regra” de em que momento do episódio piloto esse ponto de virada deve acontecer para começar a movimentar a história, muitos roteiristas e teóricos debatem sobre esse assunto e as opiniões são diversas. No texto “The Critical First Ten Minutes of a Pilot Episode”, publicado no site Screenwriting Goldmine, Phil Gladwin compartilha seu breve exercício sobre pilotos e revela algumas de suas análises. Segundo ele, pilotos que se tornaram séries de sucesso já demonstram suas marcas principais nos primeiros dez minutos, já revelando o tema e algumas contradições marcantes do protagonista. No texto “Pilotos Premissa”, Erik Bork compartilha seu ponto de vista sobre o que são pilotos premissa e o que outras pessoas argumentam  que são; Segundo Bork, o modelo ideal de piloto premissa é aquele que coloca os personagens na situação que movimenta a série o mais rápido possível, para que outros temas que serão trabalhados em outros episódios e a estrutura dominante também possam ser apresentados.

 

 

O piloto de O Negócio leva aproximadamente 50% do episódio para chegar ao incidente incitante que muda a vida de Karin, dedicando bastante tempo para a introdução de personagens e do universo deles. Em Breaking Bad o incidente incitante chega próximo aos 18 minutos, mas em compensação começa com um teaser intrigante que promete um desenrolar de eventos eletrizante. Já em Família Soprano, somos apresentados ao conflito de Tony Soprano logo na primeira sequência, enquanto ainda estamos conhecendo o personagem.

Exemplos:

 

The Good Wife: Alicia Florick precisa voltar ao seu trabalho como advogada após seu marido, uma figura pública, ser acusado publicamente em um caso sexual e de corrupção.

 

Sons of Anarchy: O nascimento do filho de Jax e os manuscritos que encontra de seu falecido pai,

o faz questionar o rumo que seu clube de motoqueiros tomou.

 

My Name is Earl: Earl é apresentado como um malandro que comete pequenos delitos. Após ganhar um prêmio em dinheiro na loteria é atropelado por um carro e vê seu bilhete premiado ir embora com o vento. Ao ouvir falar de carma e entender que o que recebemos na vida é reflexo de nossas atitudes, decide fazer uma lista de todos as coisas ruins que fez na vida e se redimir de seus erros.

 

O Negócio: Passando por uma crise financeira, e após ser desprezada por seu empresário por conta de sua idade, a garota de programa Karin se une a duas amigas para administrar seu próprio negócio de acompanhantes usando antigas técnicas e estratégias de marketing.

 

 

 

Concluindo

Independente de ser um piloto premissa ou um episódio autônomo, o piloto deve servir duas funções primordiais: Introduzir o mundo da série para o espectador, fazendo-o crer que várias histórias boas podem partir dali, e funcionar como uma obra isolada de entretenimento, que seja gostosa de se assistir (ou ler, inicialmente). Uma boa história ou conceito podem se transformar em roteiros ruins, assim como conceitos não muito originais podem se transformar em verdadeiras obras primas, portanto, é importante cuidar dos detalhes narrativos de seu projeto de série e não só do conceito geral. Um bom criador deve administrar seu foco entre a macro estrutura das temporadas, e na micro estrutura de um episódio isolado, principalmente no impacto emocional de seu piloto, para assim assegurar ao público ser capaz de comandar uma jornada memorável.

 

Pilotos

Duas versões do piloto de The Big Bang Theory foram gravadas, uma nunca chegou a ser exibida e tinha uma proposta bem diferente da versão que deu continuidade a série.

"There's nothing to tell" (não há nada a contar), primeira fala do primeiro episódio (ou episódio piloto) de FRIENDS, que contou mais de 230 histórias em dez anos no ar.

Episódio piloto de Seinfeld (originalmente entítulado The Seinfeld Chronicles), um dos raros casos em que uma série foi reformulada após a exibição do primeiro episódio. 

Mesmo com a péssima audiência do piloto, Cheers continuou no ar sem grandes alterações durante 11 temporadas. A série figura em várias listas como uma das melhores sitcoms de todos os tempos e um dos melhores pilotos de todos os tempos. O último episódio detém o título de segunda maior audiência da história em finais de série, perdendo apenas para M*A*S*H* e a frente de mega sucessos como Friends e Seinfeld.

Como escolher a melhor forma de apresentar o universo da série?

South Park, That 70's show e Roseanne, exemplos de pilotos que poderiam ser qualquer outro episódio.

Rachel, Diane, Peggy e Danny, estranhos que chegam (ou retornam) na vida dos personagens.

Por Marcos Flávio Hinke

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